O Brasil registrou crescimento expressivo em golpes digitais nos últimos anos. Não é coincidência: a digitalização acelerada de serviços financeiros ampliou a superfície de exposição de pessoas e empresas. O que poucos entendem é que o problema não é só de segurança da informação — é de compliance.

Quando Irati Santos foi entrevistada pelo programa Link Vanguarda, da Rede Globo, o tema era simples: como pessoas comuns podem evitar cair em golpes virtuais. Mas a conversa revelou algo mais profundo — os padrões de fraude que atingem consumidores são os mesmos que exploram lacunas nos controles internos das organizações. Diferentes alvos, mesma lógica.

65%
das fraudes digitais exploram falhas em processos de onboarding e KYC
R$10bi+
em perdas estimadas por fraude digital no Brasil em 2024
mais exposição em empresas sem programa formal de compliance e monitoramento

O ponto que a maioria ignora

Empresas reguladas — fintechs, plataformas de pagamento, operadores de iGaming, seguradoras — vivem sob pressão dupla. De um lado, reguladores que exigem controles robustos de prevenção à lavagem de dinheiro (AML/PLD-FT), KYC rigoroso e monitoramento contínuo de transações. De outro, o crime organizado digital, que evolui mais rápido do que qualquer política interna.

O erro que vemos repetidamente: empresas que tratam compliance como obrigação pontual. Montam uma política, passam por uma auditoria, arquivam o documento — e voltam ao ritmo normal. Fraude digital não funciona com essa lógica. Ela é contínua, adaptativa e explora exatamente o período entre uma revisão e outra.

"Compliance não é um evento. É uma operação. E operações que param, falham."

O que os dados revelam sobre vulnerabilidades

Os vetores de ataque mais comuns em fraude digital corporativa não são sofisticados tecnicamente — são estruturais. Exploram processos manuais, controles intermitentes e falta de treinamento continuado. Três padrões concentram a maioria das ocorrências:

O que empresas reguladas devem fazer

A resposta não é tecnologia. É processo — sustentado por tecnologia. A diferença importa porque muitas empresas investem em ferramentas sem ter os fluxos subjacentes definidos. O resultado é complexidade sem controle.

1. Compliance contínuo, não periódico

Revisões anuais de políticas são necessárias mas insuficientes. O monitoramento de risco precisa ser operação permanente: alertas em tempo real, KYC dinâmico, due diligence reforçada em clientes de perfil elevado.

2. Governança de dados como proteção, não burocracia

LGPD e GDPR não são apenas obrigações legais — são escudos. Empresas com governança de dados estruturada têm menor superfície de exposição a fraudes de identidade e vazamentos que alimentam ataques posteriores.

3. Treinamento que funciona na prática

Os vetores de ataque mais eficazes contra empresas passam por pessoas. Engenharia social, phishing corporativo, manipulação de processos internos. Treinamento não é slide uma vez por ano — é cultura operacional.

IS
Irati Santos
Especialista em Compliance & Proteção de Dados · DPO · ISO 27001 · ISO 37301
Presidente da Comissão de Proteção de Dados — OAB-SJC · Sócia fundadora, Antera Risk

"O crescimento de golpes digitais que vemos afetando consumidores é um sinal claro de que as organizações também precisam revisar seus próprios controles. O ambiente regulatório está mais exigente, o crime organizado está mais sofisticado — e a janela de tolerância para compliance deficiente está fechando."

Fraude digital não é um problema de TI. É um problema de governança. E governança sem operação contínua é apenas papel. As empresas que vão sobreviver ao próximo ciclo regulatório são as que entenderem isso antes de serem obrigadas a entender.

Sua operação tem os controles certos?

Fazemos um diagnóstico estruturado do seu ambiente de compliance e risco — sem compromisso, sem venda forçada.

Falar com a equipe